A compra de parte da participação de dois irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná, gerou um alerta sobre a falta de documentação sobre o “valor justo” do empreendimento. O fundo de investimento responsável pela compra foi alertado por auditorias sobre a falta de demonstrações contábeis para comprovar o patrimônio. Os auditores independentes emitiram uma “abstenção de opinião”, devido à ausência de documentações e dificuldade de acesso a dados. Isso significa que não é possível concluir se os números apresentados são corretos ou se há distorções que possam afetar as demonstrações financeiras do fundo. Além disso, a abstenção de opinião é um resultado incomum nas auditorias e só é piorado por uma eventual “opinião adversa”, que seria emitida caso os contadores tivessem certeza de que os números importantes estavam errados.
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O contexto desta controvérsia inclui a operação que investiga investimentos feitos entre 2023 e 2024 e cumpre mandados contra diretores do fundo previdenciário do RJ. Os dados da auditoria revelam que não houve acesso ao laudo de avaliação “ao valor justo da investida”, o que impede a conclusão sobre a adequação do saldo apresentado na demonstração financeira do fundo. A situação é mais preocupante, uma vez que a abstenção de opinião foi encontrada em balanços referentes a períodos anteriores, incluindo o ano base 2021, quando o fundo foi aberto.
Alguns números relevantes destacam a grandeza da controvérsia. O fundo em questão, que é administrado pela Reag (gestora investigada por fraudes envolvendo o Banco Master), revela um patrimônio líquido de R$ 34,6 milhões em suas demonstrações financeiras mais recentes. Os auditores independentes, no entanto, não conseguiram confirmar esses números devido à falta de documentação. A abstenção de opinião também é um sinal de que há algo errado no empreendimento, considerando que esta é uma situação incomum nas auditorias.
A implicações desta controvérsia são importantes, uma vez que envolvem a compra de um empreendimento freqüentado pelo ministro Toffoli. A falta de documentação e a impossibilidade de concluir sobre a adequação dos números apresentados levantam questionamentos sobre a transparência e a responsabilidade do fundo. Além disso, a investigação em andamento sobre investimentos e a emissão de mandados contra diretores do fundo previdenciário do RJ reforçam a importância da análise destes casos.