O mercado de fibra óptica no Brasil é um setor curioso, dominado por pequenas empresas regionais, com os três grandes operadores de telecomunicações, Vivo, Claro e Tim, detendo apenas 28% dos clientes. Há consenso de que a absorção dessas menores pelas grandes operadoras é inevitável, mas as negociações têm sido difícil, com as partes não conseguindo chegar a um acordo em relação ao preço da rede e do valor do cliente. Após anos de conversas, as maiores operadoras ainda não assinaram contratos para comprar provedores independentes, como Desktop, Giga+ e Unifique, que detêm uma grande parcela do mercado. Isso explica a lentidão na consolidação do setor, apesar de ser anunciada como inevitável há anos.

Nesse contexto, os dados mais recentes da ANATEL mostram que o mercado de banda larga fixa entrou em fase de maturidade, com desaceleração do crescimento e aumento do churn, que é a taxa de cancelamento de clientes. Em novembro, segundo os últimos dados disponíveis, o número de clientes do setor foi de 35,3 milhões, com um crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o mercado está passando por uma crise de lucratividade, com as empresas lutando para manter a margem de lucro com a pressão sobre os preços e a dificuldade de atrair novos clientes.

A explicação para a dificuldade de concentração do setor está nos problemas técnicos e financeiros que as grandes operadoras enfrentam. A sobreposição de redes, a qualidade técnica abaixo dos padrões exigidos e a dificuldade de transformar bases grandes em crescimento líquido real são algumas das razões que levam as maiores operadoras a alegar que “na conta fria, quase nunca compensa” comprar provedores independentes. Além disso, a última grande transação do segmento foi a fusão entre Americanet e Vero, concluída em dezembro de 2023, mas foi impulsionada pelo interesse das gestoras de private equity, o que não é um fenômeno comum no setor.

O resultado disso tudo é que o setor de fibra óptica permanece dominado por pequenas empresas regionais, enquanto as grandes operadoras continuam a hesitar em investir em uma indústria que promete grande potencial de crescimento. O futuro do setor parece incerto, com as partes aguardando que a crise de lucratividade se resolva e que a economia melhore antes de investir nos provedores independentes que detêm a grande parcela do mercado.

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